sexta-feira, janeiro 26, 2007

Rodamundo

Sentado sobre si,
um ser humano atenta
tais e tais diferenças
que inventa. Quer mostrar
sua insígne diferença
e daí passar ao êxtase
de uma suma importância.

Quer a reta das calçadas,
quer o beijo das almas
e o intervalo, ó, eterno,
das saias das moças incautas
- mas te amo, mas te amo.
Assim quer esse ser
sobre si sentado.

Os olhos do lado
passam e olham, passam
para longe, nem viram
que a boca abaixo desenha
um desenho de desdém:
- Um coração exposto
e não vai salvar o mundo.

Não será um super-homem,
não te contará mistérios,
não descobrirá minérios
de escondidos esponsais.
Não dirá palavras
que jamais vos tenha dito:
escuridão e rutilância.

Não nos interessa, vamos
no caminho qual que seja.
Vamos, pois sobeja
a fome sem os olhos,
os olhos que não olham.
Coração de sangue, e para quê.
A fome não se mata.

O mundo, os olhos, a fome
ensinam com atraso.
Não dizem, e vencem
o esperado. Se era fonte,
se era sonho, ses é amor...
mas amor não seria?
Disso calemos. Melhor.

Sentado permanece
porque o mundo não me deixo.
Mão aberta, ele te prende
entre os erros dos teus dedos.
Inútil coração, é sempre o mesmo
ceú com nuvem, céu sem nuvem.
Nem defenestrar servia.

Mas fechado, ou se aberto,
deixa a chuva e deixa o sol.
Deixa a lua com seu frio,
deixa o sangue e seu vermelho.
As cobertas nessa noite
não as tem, ensimesmado.
Levantemos os olhos, laços.

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